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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

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Neste imenso labirinto que é a vida, o emaranhado de laços colocados para não se perder entre os muros, estão opacos e desgastados. 

Retirar um por um e juntar todos em uma pequena caixa de madeira, como quem estivesse velando pequenos momentos já sem vida. 

Quando se dá conta, está em um quarto escuro e sozinha com suas memórias desgastadas e com fragmentos de dor. 

Ainda tenta enxergar alguma vida ou esperança nas flores que teimam em nascer em volta da lápide dos laços esterrados. 

O ar parece faltar quando se olha em volta e tudo é breu, no entanto, as flores são perfumadas e você nota o quanto é delicioso o aroma que sai de dentro de você. 

Sempre soube: o que dói será uma companhia frequente, e se não a anestesia, vai criando resistência e ela te pega nos braços e diz: " Vamos, não tenha medo, o que fere hoje, amanhã já não vai doer tanto. Faça um mapa dessas cicatrizes, percorra teus dedos nos relevos e seja teimosa, continue a florescer em volta do que já morreu, o ciclo é esse mesmo. " 

- Ness Forest 


sábado, 5 de junho de 2021

 

No mirante do anoitecer

Lampejos de deslumbramento 

Precioso vislumbre da silhueta do cosmos

Contorna e enlaça uma luminosa esfera de plasma

Atraia o calor fulgurante em teu espaço

Entorne galáxias no dorso de Andrômeda 

Um alucinar taciturno num estalo de êxtase

Lampeira consternação ao despertar do sonhar

Gustação gaudiosa no pulsar da atração solitária.

 

- Ness Forest   

Imagem: Ness Forest

https://nessforest.blogspot.com/2021/06/dorso.andromeda.html 

 

 

'' Around here, it's lighter than air, and it's harder to run ... ''

terça-feira, 9 de março de 2021

 


O seu corpo não é uno 

Em seu interior, encontram-se várias versões de si

Por vezes em atrito e outrora dançando

Histórias vividas, mas muito mais imaginadas

Pegadas deixadas em caminhadas passadas

Um emaranhado de sonhos, encantos

Paixões, amores, quase amores, platonismos como protagonista

Tempestades de dores, cicatrizes profundas

 Zelar por ti mesmo, pelos teus eus... 

 Apreciar-se

Querer-se.

 

- Ness Forest 

Imagem: Ness Forest 

nessforest.blogspot.com/2021/03/apreciar

terça-feira, 25 de outubro de 2016



De olhos fechados, a escuridão torna-se um mar de pontos reluzentes 
No Universo de meu âmago, posso tocar as estrelas
Misteriosas e com um sabor doce, deixam um leve amargor
Contudo, seus desejos ultrapassam o tempo, sua liberdade permite essa audácia
Criaram raízes entre veias e vasos sanguíneos, sem nada comprometer suas funções
Um Big Bang em meu coração se fez... 
Encosto os sentidos no tronco da vida
Recolho as estrelas caídas já sem brilho
Não estão mortas, há uma história em suas essências
Com carinho, deixo-as na correnteza escarlate
Seguirão viagem até cada uma encontrar sua morada entre poesias fragmentadas em meu íntimo
Abro os olhos gradativamente, ainda consigo tocar as estrelas... 

- Ness Forest 
nessforest.blogspot.com/estrelas-raizes
Imagem: Lissy Laricchia


quarta-feira, 4 de maio de 2016


Saudações à melancolia íntima
Permanece na mente inquieta
Decanta memórias e as liberta

Compositora de acalento 
Escolta os sentidos amenos
Envolve toda tua essência

Reconhece teu âmago inefável
Aspira fomentar ideais excepcionais
 Condena ao léu as ludibriantes máscaras cotidianas

Mira o olhar em dizeres profundos
Dialoga gentilmente com os modestos desejos sinceros
Desperta com afeição o indizível sentir.

♦♦♦

  - Ness Forest
Imagem: Ness Forest




Low - Especially Me  

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

                 
                               
♦♦♦
                         

Os lábios encontram-se em um rio de néctar libidinoso
As pontas dos dedos percorrem a derme, causando arrepios  proeminentes
 Olhares são cobertos, e a visão é abrigada na alma do desejo ...

Como traduzir os suspiros  produzidos a cada movimento, a cada gesto visto nos intervalos de entreabrir os olhos, nos  ósculos recebidos e em cada declaração genuinamente sincera, libertadora e única? 

''Eu te amo'' raramente é resposta, tornou-se convenção, fácil de dizer e em alguns casos, difícil de sentir... entretanto, há um horizonte incrível além do óbvio. 


♦♦♦

- Ness Forest
Imagem: Nishe + edit Ness Forest



terça-feira, 20 de outubro de 2015


A lente está limpa
Aguarda o apertar do botão
Mas, antes, precisa de permissão


A caixa de fotografias está vazia
Não há sequer fragmentos 
Eles mal existiram


O diafragma é floral
O flash os raios do Sol
O clique o bater de asas do beija-flor


Querida orquídea branca de suaves pétalas
Princesa não retratada junto ao teu par
Desejo guardado em forma de pólen 




Teus ramos escrevem na terra
Desejo decifrável
Não é segredo

As sementes poemáticas foram jogadas na terra
Não as regue com lágrimas salgadas
A primavera te descobrirá

Mantenha teu desejo nutrido
O sonho crescerá
Te alcançará enfim...





quarta-feira, 15 de julho de 2015


 
Solidão atemporal recolhe os afagos doados
Lança nos braços a lembrança de entrelaçamentos
Os ombros sentem a aragem súbita por falta de calor
Suplicar em silêncio a favor dos sonhos aninhados no peito

Fantasias lavadas em bacias de salmoura dourada
Confidências sussurradas lançadas no vão de um abraço absorto 
Recolher a brandura espargida em meio a gotas de pérolas líquidas
O que foi desejado, permanecerá no retiro dos olhares saudosos por afeto.


quinta-feira, 18 de junho de 2015



• ♦ •

Meus encantos movimentam-se diante teus olhos
Ancorados pela falta de visão, são postos ao definhamento 
Recusam-se até o último suspiro a transformarem-se em poeira

Os passos da solidão são ouvidos de longe
Com uma feição amigável ela se aproxima
Aconselha ser resiliente perante a cegueira 

A mágica contida em teu íntimo alimenta teu coração
Não engana-se, há sim olhos que enxergam 
Um dia, aproximarão de ti e perceberás.


- Ness Forest 

Imagem: Tina Sosna

  • ♦ • 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014


Beijos feéricos, deveras partilhados com o nosso próprio mundo dileto

Elucubrar sobre  como tua íris pega emprestado o brilho de um diamante lapidado

Escalo o monte mais alto apenas para divisar as cores que lhe acompanham sem pressa

Teu perfume discretamente abraça meu corpo enquanto  estou a sonhar profundamente, acordada ou não

Ensaios secretos de encontros futuros com promessas amorosas a envidar o caminho presente

Sem oscilar os desejos de bem querer que estão a germinar com acalento em nossos fascinantes corações. 


segunda-feira, 3 de novembro de 2014


E nas asas leves encobertas de candura
Dote de aconchego em asas de renda e cetim
Essência de desvelo a flutuar por todo campo visual

Há prenúncio de chuva aquarelada lá fora
As cores invadem com permissão tua tez alva
Nuances variadas a coreografar a poesia daquela afeição

Um espião surge e ergue sua espada enferrujada
Há uma maneira justa de vencer o frenesi liberado 
Ósculo a cindir instantaneamente nuvens negras de torpeza

A tempestade deixa uma singela lembrança na vidraça decorada 
O afago, plantado com zelo, florescerá naturalmente a cada instante
Acompanhar com emoção os ramos que trilham rumo a carícia da harmonia do amar. 



Ness Forest

Imagem: Ness Forest

terça-feira, 23 de setembro de 2014



De trança em trança
Entrelaçamos nossos traços
Tramamos riscos, risos

De amar o amor presente
Gizar na parede um poema amante
Distrair-se nos olhos molhados de encanto

Beleza de um coração em época de florada 
Saborear os movimentos da silhueta a dançar 
Cantarolar em meio ao nascimento de um beijo

Embriagar-se em mãos mergulhadas em arte
Desejar a realidade de um abraço sem descontos
Vestir-se de infinitos beijos estampados, lisos, listrados, belamente rendados.




- Ness Forest
Imagem: Lara Wernet

domingo, 19 de janeiro de 2014



Mutável coração, percorreu distâncias descabidas  
Em uma quase morte, discorrida por lábios frios
Apaziguar a dor parecia improvável 

Devaneios em dias obscuros, obrigando a perpetuar o vazio 

Restos de nada, quando em épocas passadas, prendiam-se na totalidade de seu tempo
Livros eram um abrigo seguro para uma mente cansada

Em um momento de lucidez, abriu-se
O teu olhar sem vida, desconstruiu-se, fez-se mar
Navegando no escuro, até avistar o ponto luminoso de um farol, começo de uma nova e doce jornada.

- Ness Forest

sábado, 12 de outubro de 2013




Cegaram-me no ácido egoísmo 
enxergar o vazio cheio de fantasmas
seguir a razão, ir direto para a verdade

Pensar, repensar, realizar
conspirações não irão me parar
qual o tamanho da sua força?

Coração frágil
não deram a ele atenção
o mérito de sua distinção 

Deitei-me no concreto
praticamente incerto
feridas catastróficas 

Ver-se, ser a ponte
seguir de corpo nu mata adentro
partindo com mapas [feitos em minha pálida pele].

Ness Forest

domingo, 22 de setembro de 2013

A xícara de café que ninguém tomou, algo estava por trás ... 

Em uma tarde agitada, parou em sua lanchonete preferida, pediu um biscoito e um café, enquanto esperava, algumas dúvidas ocorriam em sua cabeça. 


Tirou da bolsa o seu bloco de notas, cheio de anotações e ilustrações. Decidiu rever tudo o que havia escrito e desenhado desde o início do ano, na maior parte, era sobre amor, nem sempre com conclusões alegres. 

Seu café foi entregue, mas ela não prestou atenção, pois, ficou atormentada quando olhou para si mesma e viu-se em um momento riscado e arriscado, como pode, logo ela, inteligente e cheia de talentos, não conseguir encontrar um motivo aceitável para estar em uma situação de catástrofe sentimental. 
Pagou pelo lanche, não comeu, recolheu o biscoito e colocou em sua bolsa desgastada. 

Ao botar os pés para fora do estabelecimento, correu, correu e correu, como se estivesse com pressa para fazer algo acontecer. 
Parou, respirou e observou todos ao seu redor, com olhares distantes, talvez até com as mesmas dúvidas. 


Tomou nota e ilustrou, para não esquecer o que viu dentro daqueles olhares distantes. 
Sim, cada um com o seu dilema, mas ela não iria se desfazer de suas angústias, ainda é um mistério a ser desvendado e vivido...

...riscado e arriscado.

O café ficou para trás, e eu, da mesma maneira me vi ali, com uma diferença: não esfriei.

Ness Forest

Imagem: jesonisphoto

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Venha, dance comigo enquanto podemos
Seu velho sapato pode ser retirado
Já estou descalça, deixe a música ditar os passos

Não importe-se com a sua timidez, junte ela a minha
Pode fechar os olhos, conduzirei da minha maneira
... apenas venha, enquanto podemos

Os movimentos libertam nossos braços
Paramos e percebemos, não estamos mais sozinhos
Nos olhamos, aproveite enquanto vivemos

Devaneios de uma sonhadora
Pois, é o que pode ser feito
Enquanto, mesmo que distante, ainda faz efeito.

Ness Forest

Imagem: lauramakabresku
http://nessforest.blogspot.com/2013/09/dance-comigo.html

domingo, 15 de setembro de 2013

Imagem: Ness Forest 2013

Insensatez fantasiada de boa companhia, lado a lado com a crueldade de ter encravada no peito uma rosa de vidro. 
Na parede branca, marcas de molduras que antes acolhiam fotografias, gravuras, amor... agora, desgastes.
Quanto silêncio desnecessário! Logo tirou sua máscara e pôs-se a gritar sem culpa,  a agonia precisava viajar por entre as vibrações de sofrimento.
Há algo a me incomodar, mas não é o grito, são as palavras ditas friamente e que estão a passear com sapatos de madeira em minhas memórias.
Ver-se no espelho e em um instante não se reconhecer, olhar decadente, choro e raiva, não está certo, é para ser radiante, iluminado e não ir em direção ao precipício.
Incrivelmente, a suavidade ainda se mantém em mim, mesmo coberta por poeira, caos e cinzas.

...  a chuva está aqui e a ferida sangra, a rosa de vidro está tornando-se uma parte de mim, fundindo-se ao meu coração um pouco por vez, pesadelo real.

Ness Forest
http://nessforest.blogspot.com/2013/0insensatez.html

sábado, 17 de agosto de 2013



Deixei o capuz escondido, os cabelos precisam de uma dose de brisa da madrugada, caminha e caminha, os pés cansados, mas os braços em movimento, como em uma dança tímida. 
Um corte no pé direito a sangrar, no chão, imagens sem preocupação de perfeição, com uma distinção totalmente melancólica. 
É saboroso o sabor do vento, a sua voz aveludada entra com suavidade em meus tímpanos e em minha pele, vibrando toda aquela canção. 
Saber e em meio segundo esquecer o que aparece como revelação, talvez não é permitido descobrir quando pode ser bom exageradamente ou o contrário. 
Conceitos desmanchados, descartados, não é necessária a estagnação próxima a mim, boa viagem! 
O espaço desocupado, já começa a se preencher, sem dramas, apenas lucidez. 

- Ness Forest 

Imagem: Ness Forest 2013
http://nessforest.blogspot.com/2013/08 -deixei.html 

domingo, 7 de julho de 2013

Melodia no Caos



 

Passava de uma hora da madrugada, dezenas de folhas coladas na parede, a mão direita descontrolada escrevia e esboçava nelas, enquanto a esquerda massageava a nuca enrijecida.
Um riso nervoso e silencioso para encobrir a tensão escondida entre os adjetivos rabiscados.
Parecia querer se castigar de alguma maneira, nem mesmo a água da banheira estava aquecida, senti-la gelada era uma forma de acordar de um sonho nada possível mas ilusório, as lágrimas ficaram em evidência por serem quentes.
Não importou-se em se cobrir apenas com uma camisola fina de cetim e renda, sem antes se enxugar com a toalha bordada. Por um momento, pensou que estivesse delirando, mas era angustia e ela se fazia mais fria do que aquela água gelada.
Tirou todas as folhas da parede em segundos, ficaram a seus pés, a água pingava dos cabelos, manchando tudo que havia sido feito naqueles retângulos finos, mas nao foi o fim de todo o episódio, havia fotografias na mente.
Sentou-se em um canto, abraçou as pernas e tocou as cicatrizes com aquelas mãos doloridas e ainda assim macias.
Recolheu as lembranças rasas e não quis queima-las, apenas dar um lar melhor a elas, sem nós e sim com laços esvoaçantes... depois de todo o caos, deixou partir, seguindo assim para seu verdadeiro jardim.

 ... dias depois, voltou a respirar.
Com ternura, sua melodia.

- Ness Forest
Imagem: Ness Forest 2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013


Ela abriu sua caixa luminosa
Rascunhos não passados a limpo
Considerações enviadas, impressas e guardadas

Preciosos pixels em uma existência que foi sentida
A respiração se descontrolava
Ar que não cabia no peito

Ela sabe, não esquece, satisfação mantida
Ontem foi e ainda é uma maneira de ser
Sons e cores, invadiam o espaço

Um pulo no precipício feito de papel 
Uma despedida cheia de dúvidas
Agonia servida em prato trincado

No entanto, ainda mantém os preciosos pixels de uma existência que foi sentida
A respiração descontrolada e o ar que não cabia em seu peito
O brilho que nascia ao abrir a caixa luminosa e ainda é lembrado como se fosse ontem, naquela maneira de ser ... verdade [real]. 


- Ness Forest
Imagem: Ness Forest 2013

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