Neste imenso labirinto que é a vida, o emaranhado de laços colocados para não se perder entre os muros, estão opacos e desgastados.
Retirar um por um e juntar todos em uma pequena caixa de madeira, como quem estivesse velando pequenos momentos já sem vida.
Quando se dá conta, está em um quarto escuro e sozinha com suas memórias desgastadas e com fragmentos de dor.
Ainda tenta enxergar alguma vida ou esperança nas flores que teimam em nascer em volta da lápide dos laços esterrados.
O ar parece faltar quando se olha em volta e tudo é breu, no entanto, as flores são perfumadas e você nota o quanto é delicioso o aroma que sai de dentro de você.
Sempre soube: o que dói será uma companhia frequente, e se não a anestesia, vai criando resistência e ela te pega nos braços e diz: " Vamos, não tenha medo, o que fere hoje, amanhã já não vai doer tanto. Faça um mapa dessas cicatrizes, percorra teus dedos nos relevos e seja teimosa, continue a florescer em volta do que já morreu, o ciclo é esse mesmo. "
- Ness Forest
