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quarta-feira, 5 de julho de 2017



Abril 2017: O final da existência de uma parte de nós.

A dor vai se dissipando a passos lentos, a saudade cresce na velocidade da luz

Um coração que de tão grande, não suportou mais o peso da tirana vida


Na caçamba de seu tempo, fez carregamento de preocupações de centenas de vidas alheias, deixou a própria em décimo plano
Em cada uma dessas existências, entregou na hora certa lembranças de seu âmago

Aquele verde musgo de seus olhos ficou sem vida, quando os ví daquela maneira, um buraco negro se abriu em meu peito, não era mais meu pai alí, apenas a imagem de seu corpo gélido.

Meus olhos ainda são mar, meu doce ser está em salmoura, deixo aberto as comportas deles, em algum momento irá normalizar e a doçura voltará a superfície. Aos poucos vou revivendo minha essência, que durante esses meses permaneceu em hiato.

Aqui no Mundo, deixou sementes, memórias e histórias, além de 4 materiais genéticos em forma de filhos. Está vivo em nós, te encontro em meus sonhos, nas lembranças, na minha face e na de meus irmãos ♥. Obrigada! 

 - Ness Forest ( e em tua voz: filhinha, Nessinha, Nessita ) 


Valter Mendes - para sempre, pai  ∞ 

nessforest.blogspot.com/pai

quarta-feira, 28 de outubro de 2015


1993, deitada na cama, pés na janela, noite estrelada, e eu ali, fascinada com as estrelas, muitas dúvida acerca de sua distância ... naquela época, acreditava em destino, a ingenuidade e falta de conhecimento em fatos da vida me levavam a isso.

Minha irmã mais velha ao lado, em sua cama, adormecia, na sala estava minha mãe assistindo filme, meus irmãos mais novos também adormeciam... Nunca fui de dormir muito, mal conseguia pregar os olhos. 

Enquanto o sono não me abraçava, minhas mãos se uniam em uma dança cósmica, com as
estrelas de espectadoras...

Lembro da sensação incrível que invadia o meu interior, denominei como '' coceirinha no peito'', ainda hoje denomino desta maneira, é quase a mesma que ''borboletas no estômago'', mas, de uma maneira mais interligada com o meu verdadeiro eu, se mantém na região do peito e sobe até a garganta, empolgante e puro. 

Mamãe chegava até meu quarto e pedia para eu dormir, pois, a aula era cedinho e precisava adormecer, me deitei, fechei os olhos e as estrelas ali estavam, armazenadas em minha memória recente, as mãos querendo dançar e o corpo flutuar naquela magia inocente... o sono surgia então e eu podia continuar a sonhar... 

Atualmente ainda mantenho aquele Baile de mãos e estrelas diante meus olhos, alimento com ternura a ''coceirinha no peito'', uma de minhas vitais sementinhas germinadas.

- Ness Forest
Imagem: Elena Roșu

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Em 1991, quando fui morar com meus avós maternos por uma temporada de 6 meses em sua pequena cidade, pude colocar em prática com mais afinco a minha mente de ''faz de conta''. 

O quintal era enorme, várias árvores frutíferas, pássaros, flores, insetos, animais e seres mágicos... Minha avó ia fazer os demasiados quitutes saborosos com aquelas mãos de fada rainha e vovô ia dar um cochilo em sua poltrona favorita, aproveitava esse momento de distração deles e dava uma escapadela naquele grande livro de contos que eu enxergava naquela imensidão de espaço. 

Havia um pé de erva doce bem no início do quintal, fiz dele um portal, as pequenas flores de erva doce sempre caíam em meus cabelos quando passava por ali, fazia delas meu enfeite naqueles fios de cabelos castanho claro e detalhes avermelhados. 
Cantarolava canções que somente eu entendia, conversava com os pássaros e com as flores selvagens escondidas entre as pedras de sepulturas de antigos animais de estimação, bem no final do quintal, um forno antigo de barro desativado me colocava medo, criei ali um outro portal, o final, a escuridão, não dava muita atenção para ele. 

Com uma lasca de madeira, cavucava a terra em busca de tesouros passados,  encontrava pequenos frascos quebrados de perfumes, pedaços de tecido, ossos de pássaros, sementes variadas, pedras com formatos engraçados... criava histórias com esses tesouros, mas, o que me deixava mais intrigada, eram os fragmentos de cartas, não dava para ler muita coisa, o tempo já havia feito o seu serviço, o mais provável era que poderiam ser notícias de parentes, amigos ou quem sabe, amor. 
Não levava os tesouros comigo, os enterrava de volta, ali era a sua morada, não pertenciam a mim...  o passado as vezes é para ser deixado adormecido. 

Minha pouquíssima idade jamais foi capaz de encobrir o que eu julgava certo para o meu mundo. 
Naquele momento em que eu estava vivendo a minha fantasia inocente, vovó pensava que eu estava obedecendo o que havia mandado eu fazer, rezar... mas, tal ação nunca foi para mim, está aí algo que também não via sentido algum, ficar em um quarto orando para uma fantasia que não era minha? Preferia fugir pela janela (mamãe quando criança fazia muito isso também) e ir em busca de meu bem querer fascinantemente encantador. 

Explorar era magnífico, dava alimento para as minha borboletas do estômago e principalmente para a minha essência naturalmente livre, sedenta por mistérios, histórias encobertas e valorização dos minúsculos detalhes de tempo...

 - Ness Forest


Imagem principal: kyra ashtin (Edição: Ness Forest)
Imagens usadas na edição: Sarah Novak BentTorkel KylbergSaraia77

Tag: Memórias...

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