domingo, 7 de julho de 2013

Melodia no Caos



 

Passava de uma hora da madrugada, dezenas de folhas coladas na parede, a mão direita descontrolada escrevia e esboçava nelas, enquanto a esquerda massageava a nuca enrijecida.
Um riso nervoso e silencioso para encobrir a tensão escondida entre os adjetivos rabiscados.
Parecia querer se castigar de alguma maneira, nem mesmo a água da banheira estava aquecida, senti-la gelada era uma forma de acordar de um sonho nada possível mas ilusório, as lágrimas ficaram em evidência por serem quentes.
Não importou-se em se cobrir apenas com uma camisola fina de cetim e renda, sem antes se enxugar com a toalha bordada. Por um momento, pensou que estivesse delirando, mas era angustia e ela se fazia mais fria do que aquela água gelada.
Tirou todas as folhas da parede em segundos, ficaram a seus pés, a água pingava dos cabelos, manchando tudo que havia sido feito naqueles retângulos finos, mas nao foi o fim de todo o episódio, havia fotografias na mente.
Sentou-se em um canto, abraçou as pernas e tocou as cicatrizes com aquelas mãos doloridas e ainda assim macias.
Recolheu as lembranças rasas e não quis queima-las, apenas dar um lar melhor a elas, sem nós e sim com laços esvoaçantes... depois de todo o caos, deixou partir, seguindo assim para seu verdadeiro jardim.

 ... dias depois, voltou a respirar.
Com ternura, sua melodia.

- Ness Forest
Imagem: Ness Forest 2013

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