Dizem que mãos geladas é sinal de um coração quente, faz sentido anatômico e poético, pode parecer algo lindo de início, mas esconde aí uma verdade, a solidão.
Você toca tuas próprias mãos geladas enquanto o coração clama por romance, olha para o lado, quem está lá? Tua sombra inerte...
O pânico bate na boca do estômago, quase te derruba quando sussurra em teus ouvidos uma espécie de mantra da solidão.
Há então um atrito entre ser forte e se entregar, o lado guerreiro levanta a espada e monta guarda, enquanto seu oposto apenas quer se esconder atrás do escudo enferrujado.
Não sei qual lado irá sair vencedor, contudo, as mãos estão mais geladas do que nunca e o coração... bem, ele continua uma fornalha, porém, cheio de cinzas. As chamas são sedutoras, inflamáveis e quando se está só, não há proteção. O gelo ao menos conserva aquele núcleo de dignidade que te mantém em segurança nesse grande oceano de desafeições.
É exaustivo sentir-se um espectro gélido num corpo onde habita uma essência fumegante, a mente é sonhadora, bela, já o olhar da verdade é um iceberg denso e cortante.
Uma canção delirante te puxa para dançar com tua sombra inerte onde os únicos toques são de tuas mãos glaciais.
- Ness Forest
Imagem: Ness Forest
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