
A boca seca, sem palavras
Todo o líquido desviou-se para os olhos
Uma folha em branco cheia de gotículas marinhas
Seguro a caneta, ameaço escrever e ela não atinge a superfície do papel
Está frio, sinto o vento em minhas costas
As folhas são jogadas ao chão
Não presto atenção e meu braço esbarra no tinteiro e o derruba
A tinta se espalha e observo os desenhos que vão se formando
Deito no chão para acompanhar a dança dos traços abstratos
Minha pele sente a necessidade de contribuir com o acaso
Recolho o tinteiro e me pinto com a sobra, abraço as folhas, por fim, algo foi tocado
Aquelas manchas podem não fazer sentido, mas para mim, são os carimbos dos meus sentimentos.
... não há silêncio, cantarolo mentalmente melodias alimentadas por saudade e melancolia agridoce.
Imagem: Ness Forest 2012
Texto: Ness Forest