quinta-feira, 28 de agosto de 2014

9 - Fluir

No meio da semana, aquela quarta-feira mais parecia dia de nada, desci as escadas no escuro, chegando na metade do caminho, avisto pequenos pontos luminosos, como estrelas em uma noite de lua nova. Neo estava lá, no final dos degraus, pegou em minhas mãos, colocou Ray LaMontagne como trilha sonora, tomou-me em seus braços e dançamos, éramos Nebulosas em encontro cósmico.

Seus passos eram leves, uma junção perfeita aos meus, mal sabia eu desse seu jeito para a dança, perguntei baixinho se sempre soube dançar, me disse: 


'' Nunca houve um propósito em aprender, depois te conheci e me coloquei nesse universo, para levar-te comigo. ''

Qualquer preocupação que tínhamos em nossas mentes, se desanuviaram, nenhum problema conseguia ultrapassar nosso espaço de passos, sorrisos suaves, braços, abraços e estalos. 

Nos perdemos no tempo, mal sabíamos a quantidade de minutos ou horas passamos ali, entre as velas, a música e a leveza dos movimentos juntamente com a mente. 
A faixa de  LaMontagne já havia acabado, acredite, nem percebemos, estávamos tão ligados um no outro que tudo fora de nós dois foi pro espaço, em silêncio. 

Com olhos nos olhos, nos colocamos em descanso, sentados no chão, viajando em olhares e semblantes emocionados e corações em virtude de amor e amar.
Me inclinei até ele, sussurrei: 


'' Por ti, meu doce rapaz, sinto ondas de fulgor,
 ar gáudio,
 essências de um amor futuroso. ''

Ele, por sua vez, tocou os seus lábios nos meus como absoluta e contemplativa poesia. 


- Ness Forest

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