terça-feira, 1 de outubro de 2013

Deitei no telhado, naquela madrugada fria, o céu encoberto, me lembrando como é fácil desperdiçar a vida. 
Não ouvi nada diferente, a música danificada por palavras sinceras, estranho saber que o belo amedronta e abre as portas para algum pânico desconhecido. 

Continuei fora do meu quarto, a garoa caindo e o vento levando embora algum resto de esperança que insisti em tratar com carinho, para depois ir embora subitamente sem dar atenção ao meu olhar.
Sabia que estava frio, mas não senti, só sabia e mesmo assim me mantive ali, fora de casa, a me molhar com a garoa. 

Ao entrar, o calor me incomodou, o conforto me deixou sem sono, mil cenas invadindo minha mente, sem pausa, cruel. 
Amanheceu, tomei meu chá, parti para o trabalho na vontade de ter paz, mas é apenas parar 1 segundo e tudo voltar, as mil cenas, interrompendo minha respiração. 

O dia vai se manter assim e quando a noite chegar e assim dar um olá a madrugada, tudo se repetirá, até eu me acostumar com essa dor e conseguir conviver amigavelmente com ela, não posso sangrar mais, quero ter de volta a minha sanidade e que as mil cenas sejam apagadas, mas sei que é impossível neutralizar tudo isso, mas uma parte pode sim ser feito (seria um desejo irrealizável? Aguardando...).

Ness Forest
http://nessforest.blogspot.com/2013/10/no-telhado.html
Imagem: aliscarpulla

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