sábado, 16 de fevereiro de 2013

     
Uma quietude se faz presente nas escadarias do casarão de papel, meneio meu corpo no mesmo sentido da música orquestrada, faltam cordas e notas mas não está imperfeito, faz até mais sentido assim. 
      Sinto algo tocar minhas costas, levo um susto de minuto, era apenas o laço do vestido que desamarrou sem que eu percebesse. 
     Os instrumentos começam a desaparecer na mesma velocidade com que começo a correr em direção a porta principal, da qual mantive trancada durante a noite toda, mas abri-la não é possível no momento, minhas mãos estão sem força. 
     A música parou... Silêncio ... apenas escuto minha respiração e os passos que dou no piso de madeira.       
     Uma leve fragrância me leva direto ao jardim... a mesa está posta, cheia de flores, folhas e uma caneta tinteiro, olho atentamente, a caneta não é minha, no entanto, é familiar... A brisa é deliciosa, agora quem dança, são os vaga-lumes, sorrio por instantes. Me jogo a dançar juntamente com eles, meus pés descalços são acariciados pela grama, não me importo se o vestido irá ''sujar'' de terra e seiva, as manchas que ficarão serão o retrato daquele momento.
       Um vento forte derruba as folhas e quase vira o vidro de tinta de caneta, é um recado claro para que eu não deixe de escrever. 
      O que escrevi naqueles pedaços de papel não é para ser espalhado...  ficará apenas comigo, bem ao lado da minha cama, guardado em uma caixa desenhada e fechada com fita de cetim marfim e algumas horas de sono e sonhos. 

- Ness Forest
                                                                           Imagem: Google
http://nessforest.blogspot.com/2013/02/quietude.html

     

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